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A arte do fabrico e da ciência

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Passado entre Alcobaça, Leiria e as Caldas da Rainha, o quarto dia do Leiria-In incluiu workshops, visitas a empresas, orientação e até música.

“Com o tempo, aprendemos a ver certas coisas”, referiu, a certa altura, Rogério Vigário, proprietário da Mármores Vigário – empresa que os participantes começaram por visitar, no início do dia. “Quanto olho para aquele bloco, por exemplo”, continuou, “consigo ver que a pedra é mais macia”. No alto da zona de extração de mármore que afunda ao longo de dezenas de metros, o empresário deixou ainda a explicação: “é tudo uma questão de densidade e peso”.

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A visita às instalações da empresa, situadas junto à Serra de Aire e Candeeiros, tiveram o objetivo de explicar como se processo a extração e transformação da pedra. Nesse sentido, a segunda fase da visita consistiu na deslocação até uma empresa associada, onde o comercial Ricardo Rebelo descreveu os dois processos diferentes de transformação: “existe o corte por medida ou em chapa e ainda as peças especiais e de ladrinho”.

O mercado internacional é, segundo revelou Rogério Vigário, um foco muito importante da atividade da sua empresa. “Todas as semanas temos visitas de clientes estrangeiros”, explicou. Um dado corroborado por Ricardo Rebelo – “as exportações representam 80 a 85% das nossas vendas”, garantiu.

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Ainda antes de almoço, o programa de atividades contemplou a visita à SPAL – Sociedade de Porcelanas de Alcobaça – onde os cinquenta jovens tiveram a oportunidade de visitar as instalações da fábrica. Na receção, os responsáveis realçaram o importante papel do design no dia-a-dia da empresa, desde a sua fundação, há 51 anos. Como tal, a estrutura da empresa inclui um departamento de design in-house: o SPAL Studio.

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Já quase no final da visita, um dos participantes do Leiria-In confessava a um colega: “da próxima vez que partir um prato, vou-me lembrar da trabalho que tiveram a fazê-lo”.

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Luz, Câmara, Serigrafia
Na sala de espetáculos da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, um dos coordenadores do curso de Teatro explicou o objetivo do trabalho que se realizaria ao longo das próximas duas horas: “quero que pensem no que é a luz”. A luz, acrescentou, é uma importante ferramenta nas artes teatrais, ao permitir “jogar com o cérebro do espectador de formas que não estão à espera”, criando ambientes e sentimentos.

“No teatro, muitas vezes não há cenário nem adereços – há luz”, realçou, explicando a importância deste elemento na composição dramática. Depois de uma breve explicação científica, o técnico apresentou aos estudantes os equipamentos mais importantes para o controlo da luz.

Entretanto, na oficina de serigrafia, outro grupo trabalha tecidos. Ao longo de diversas estações, os participantes vão acrescentando motivos e desenhos a camisolas brancas – todos eles com um elemento em comum. “A temática central são os animais e as formas como se cruzam”, explicou a técnica superior de serigrafia e gravura da ESAD, Vera Gonçalves.

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O grande objetivo, revelou, passou por “fazer entender o processo da serigrafia” – uma técnica presente no vestuário mas não só. Etiquetas, embalagens, publicidade são outros dos exemplos onde a serigrafia marca presença. De resto, no dia-a-dia da ESAD, explicou Vera Gonçalves, a oficina de serigrafia tem uma presença muito dinâmica, com ligação a vários cursos. “Ajudamos os alunos nos seus trabalhos de design e apoiamos a comunicação dos eventos da escola”.

No fundo do corredor do último piso, encontramos o terceiro grupo, junto às salas de revelação fotográfica da ESAD. Os participantes do Leiria-In rodeiam o técnico responsável pelo Workshop mostrando pequenos pedaços de papel fotográfico. Os trabalhos são fotogramas e, segundo o técnico superior fotografia da ESAD, Paulo Marques, são “bom meio de explicar o processo fotográfico sem recurso a máquina”.

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O uso de objetos sobre o papel fotográfico e a consequente exposição à luz deixam a marca do objeto no papel. Esta técnica, acrescanta Paulo Marques, é também uma boa forma de introduzir aos alunos equipamentos como ampliadores, objetivas, papel fotográfico e, “mais importante, ao processo de revelação química”.

Segundo Paulo Marques, a fotografia é uma presença “transversal” em muitos dos cursos da ESAD: design gráfico, de ambiente ou multimédia e artes plásticas são alguns dos exemplos de cursos em que “a imagem é fundamental”, sendo que as técnicas fotográficas “são usada por todos os alunos da escola nos seus respetivos cursos”.

Uma nova casa para a mesma ciência
A tarde terminou na Marinha Grande, com uma visita às novas instalações do Centro de Desenvolvimento Rápido e Sustentado do Produto (CDRSP) do Politécnico de Leiria. Aí, os cinquenta participantes puderam “conhecer vários tipos de tecnologia: da mais convencional, utilizada na indústria, a tecnologias aditivas mais vanguardistas ligadas à área da saúde”, explicou a investigadora Carla Moura.

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Depois de, desde 2007, funcionar em instalações cedidas pela Câmara Municipal da Marinha Grande, este centro de investigação mudou-se em novembro de 2015 para um novo espaço. “Estas instalações foram pensadas desde a raiz para esta realidade e são adaptadas à ciência que tentamos desenvolver”, salientou Carla Alves.

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Quanto à visita dos estudantes, a investigadora expressou o desejo de que esta possa ser uma ajuda no despertar de vocações: “Embora tenhamos o conhecimento dos livros, o contacto fístico com os projetos pode fazer despertar o bichinho”.

A noite terminou com a atuação da Tuna do Politécnico de Leira que trouxeram aos participantes do Leiria-In alguma da cultura académica leiriense.

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