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Um dia entre o vidro e a água

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O segundo dia da academia Leiria-In passou pela Marinha Grande, com visita incluída ao Mariparque, na praia da Vieira. As histórias de vida que compõem a indústria e o artesanato ligado ao vidro e aos moldes também estiveram em destaque.

A viagem pelo mundo da indústria teve quatro pontos de partida. Divididos em quatro equipas, os participantes realizaram visitas a quatro empresas da Marinha Grande: Santos Barosa, Barbosa Almeida (BA), Crisal e Vidroexport.

Na receção aos visitantes, o chefe da divisão de composição-fusão da BA, Alexandre Renca, explicou que o objetivo desta iniciativa passou por “dar a conhecer o tecido industrial e a forma como uma empresa funciona”. Simultaneamente, acrescentou, os estudantes puderam contactar com “várias áreas do saber e com um leque de diferentes profissões e respetivas formações”.

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Já o Diretor de Recursos Humanos da Crisal S.A. – Grupo Libbey deixou uma garantia: “ficaria muito contente se, quando saírem daqui e virem um copo, se lembrem de toda a viagem e de todo este processo exigente”.

O futuro e o passado do setor
A manhã terminou com uma visita ao Centimfe – Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos. Recebendo os visitantes, a técnica da área da formação, Ana Carreira, salientou que o Centimfe “não é uma empresa”, antes, “uma entidade que presta apoio a este tipo de indústria”.

Depois da passagem pelo espaço de maquinação e ensaios, a visita passou pela sala de prototipagem rápida, onde o téncnico responsável, Gil Pinheiro, destacou as mais-valias desta tecnologia. “Esta técnica aditiva tem diversas aplicações a nível conceptual, de estratégia de venda” e, sobretudo, na garantia “da perfeição das peças”.

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Após o almoço na Escola Profissional e Artística da Câmara Municipal da Marinha Grande, os participantes do Leiria-In tiveram a possibilidade de conhecer melhor a identidade desta região, com uma visita ao Museu do Vidro e à exposição “Esculpir o Aço”. Segundo a responsável que conduziu a visita a esta exposição, Cláudia Oliveira, o objetivo centrou-se em “dar a perceber o processo de produção cada objeto”, uma vez que o consumidor final olha, sobretudo, “apenas ao preço e à qualidade”. Neste espaço, acrescentou, os jovens puderam conhcer o trabalho das empresas da região e a história da evolução tecnológica dos moldes para vidro e plástico.

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A arte do vidro

Junto à entrada da zona de exposições do Museu do Vidro, Olinda Colaço aponta a sua primeira pintura em vidro. Sobre o fundo branco, destaca-se a imagem de um fauno e um cupido. “Sempre gostei da mitologia e dos grandes mestres renascentistas”, explica a artista. A carreira de Olinda Colaço começou em 1973 e, em 1980, aceitou o desafio lançado pela família para passar pintar em vidro, utilizando os materiais tradicionalmente utilizados na região. Hoje em dia, assegura, é “das únicas mestres que dá formação para manter este património vivo”.

À época, explica Olinda, a pintura em vidro era feita “numa lógica de linha de montagem”. A sua decisão em iniciar uma carreira prendeu-se com com a vontade de controlar todo o processo: do desenho à pintura. “Nâo queria ser uma executante mas sim uma criadora”, reforça.

O  objetivo foi conseguido, com a construção de uma carreira que se prolongou até 2007 – altura em que as dificuldades do mercado em oferecer subsistência e alguns problemas de saúde a forçaram a deixar a atividade. Os vários anos de trabalho exposto no Museu do Vidro são “um reconhecimento que apenas chegou a custo”. Essa é, precisamente, a mensagem que diz querer passar aos participantes do Leiria-In, com o seu trabalho: “quando queremos uma coisa, conseguimos, se lutarmos”.

Lapidar ofícios
Num edifício contíguo ao museu, há dois artesãos que trabalham o vidro, quase todos os dias. “Estamos aqui de terça a domingo”, explica José Medeiros cujo o ofício – lapidário – consiste em transformar as peças de vidro com motivos e desenhos variados. “Esta é uma forma de diferenciar as peças”, relembra o artesão.

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Depois de 40 anos “a fazer o que o patrão mandava”, José Medeiros procurou a possibilidade de fazer os próprios desenhos. “Hoje tenho essa liberdade”, sublinha, revelando que o convite para demonstrar o ofício da lapidação surgiu há cerca de três anos, partindo da Câmara Municipal da Marinha Grande.

Quanto ao futuro, o artesão considera que “esta profissão acabou” e relembra que será importante que alguém aprenda a arte, assegurando a sua continuidade. Contudo, há alguns obstáculos, desde logo o facto de “para dominar a técnica, serem necessários 10 anos”. Para já, assegura: “vou mostrando o que sei, enquanto puder”.

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Para o final da tarde, ficou reservada uma passagem pelo Mariparque, com direito a mergulhos para todos os gostos. 

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Moldando os sonhos
Enquanto criança, Joaquim Menezes tinha gosto em passar pela zona do aeroporto de Lisboa. “Gostava de ver os aviões e pensava que nunca conseguiria voar num”, explica o empresário que detém a empresa Iberomoldes.

Hoje, mais de cinquenta anos depois, considera, o cenário é bem diferente. “Vou amanhã às 08h30 apanhar o avião para Xangai – 22 horas de voo mais três e meia de comboio”, explica. “E não se cansa?” – a pergunta parte de um dos participantes do Leiria-In. “É assim a vida… Mas eu sou feliz!”, assegura.

A conversa decorreu no âmbito da atividade “A vida de um industrial”, durante o qual Joaquim Menezes partilhou a sua história de vida com os presentes. Nascido na Figueira da Foz, o empresário mudou-se para a Marinha Grande com 11 anos de idade, tendo, em 1975, criado a empresa Iberomoldes que hoje emprega cerca de 1400 trabalhadores.

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O empresário recordou a importância que a leitura teve, durante a sua infância e adolescência. “Aprendi muito com as vida dos outros que conhecia através dos livros”, revelou, explicando: “como é que estas pessoas descobriram o talento que tinham?”.

Para alcançar o sucesso, concluiu é importante, sobretudo, manter viva a vontade aprender e de melhoria contínua. “Mais do que a capacidade, impota a atitude de querer fazer sempre melhor”, reforçou.